Dinâmica de escritor: Como escrever sem se perder

Olá, leitores-escritores!

Começo hoje a série de textos “Dinâmica do escritor”. Nessa pequena série vou abordar temas relativos ao próprio ato de escrever. Escrever não é uma coisa muito fácil vistas às inúmeras possibilidades que se aderem ao próprio ato. Ora, você poderá escrever contos, livros, memórias, dissertações… Mas… Como não se perder bem no meio do texto que você está redigindo?

Se você já escreveu ou escreve há algum tempo já se deparou com esse problema: o famoso e muito odiado “Eu me perdi”.

Se perder no meio da criação de um trabalho literário não é mérito apenas seu. Muitas pessoas já passaram por isso, passam agora e se não passaram ainda, preparem-se, profetizo que irão passar muito em breve. Já é intrínseco. É parte de escrever você se perder bem no meio e achar que está no pior bloqueio criativo da sua vida. Ou seja: a visão completa do inferno com potencialidade destrutiva superior a 9.000. Não é bacana, não é legal, é praticamente arrancar um esparadrapo de um ferimento de uma única vez. Enfim, doloroso e penoso.

Se é assim, como eu faço para evitar ficar perdido a cada cinco minutos?

Simples
. Programe-se. Não estou falando que é possível programar como um livro vai sair no final, mas é possível programar como a história irá seguir. Começo e fim. O meio, que é o potencial causador de momento de desespero supremo, pode ser cultivado de uma forma mais inteligível se você consegue estabelecer as metas. Mas como fazer isso?

Primeiro: Escreva um roteiro. Ele vai ser seu guia pela viagem insólita que é escrever. Use pequenas frases do tipo: “personagem A deve encontrar B nas seguintes circunstâncias” ou “devo escrever sobre a função social do capital”. Isso guia qualquer tipo de texto, científico, literário, dissertativo, o que seja. Lembre-se: FRASES PEQUENAS. VARIAS DELAS. ORDENADAS PARA QUE A HISTÓRIA SIGA UM SENTIDO E CUMPRA AS METAS ESTIPULADAS.

Segundo: Tenha em mente que tipos de personagens você quer criar. Não vá nessa de ir colocando personagens enquanto a história vai se desenvolvendo. A potencialidade de você criar uma Mary Sue que vai te irritar ou um personagem totalmente irrelevante é de 100%, senão de 300%. Tenha o trabalho de criar o personagem do zero. Nome, passado, aspirações, se tem família ou não, porque ele se meteu nessa história… Você tem que criar tudo, deixar por escrito, para jamais esquecer porque o bad boy é um bad boy e porque a mocinha não tem qualquer tipo de perspectiva romântica para vidinha ruim dela.

Terceiro: Descreva e deixe clara quais serão as locações da história. Use mapas, pregue nas paredes mapas mundi, qualquer coisa. Encha de post-its o seu globo terrestre, seu Atlas… Arrume um jeito de saber se tudo se passará no oriente médio e nunca, digo e repito, NUNCA esqueça os detalhes do lugar. Desenhe, anote os por menores, tudo, absolutamente TUDO é importante. Se você se esquecer de um detalhe mínimo vão aparecer milhares de detalhes apontando erros de continuidade. Então, não corra esse risco, esteja certo de suas locações e saiba absolutamente tudo sobre elas. Peque pelo excesso de informação recolhida e guardada, nunca pelos erros graves de continuidade.

Quarto: Se você quer plot-twist’s surpreendentes, pense neles logo. Você quer que o mocinho morra nas postas do casamento? Ótimo, escreva isso logo numa anotação. E não se esqueça de deixar bem claro que ele não vai morrer e pimba! Ele morre na porta da igreja. Você já sabia disso, você tinha anotado isso, na verdade, seu texto levava a crer que ele viveria, mas havia uma passagem logo no início que mostrava que ele morreria. Seu leitor vai se surpreender e querer ler novamente para tentar ver onde estava a dica. Assim, melhor do que ter a história toda só na sua cabeça, é tê-la toda esquematizada em um caderno ou num documento em seu computador. Simples, fácil e muito eficaz.

Quinto: Sempre carregue algo que possa ajudá-lo a anotar uma idéia. Serve caderno, bloco, caderneta, ficha pautada… Se dá para escrever, use! Idéias são criaturinhas bem espertas que gostam de fugir das pessoas, logo, se nasce uma boa idéia, anote-a logo. Anote situações, nomes, coisas… Anote e depois veja se elas podem mesmo ser encaixadas na sua história.

Sexto: Se você consegue ser extremamente metódico, opte por um resumo de capítulos. Tenha um resumo de cada um dos capítulos antes de começar a redigi-los. É uma tarefa quase impossível para maior das pessoas, até para mim é bem complexa. Mas ajuda e ajuda demais. Os resumos passam a ser o nosso norte e evitam que a história seja destruída por um contra-senso ou por uma linha mal escrita. Posteriormente posso até mostrar alguns dos meus resumos de capítulos. De início achei que não os seguiria, agora eles são minha maior inspiração. Se você conseguir resumir cada capítulo antes de escrevê-lo, enquanto a história está bem completa em sua mente, você verá que a história vai fluir sem muitos solavancos.

Sétimo: Se nada disso funcionar e você se perder mesmo assim, retome a leitura de tudo até onde parou. Funciona quase sempre. Você estancou? Leia tudo de novo e, de repente, tudo começa a fluir como se fosse a primeira vez. Mantenha os Back-ups em ordem, mantenha a letra legível, pegue tudo e releia. Dá ótimos resultados.

Talvez eu devesse chamar isso tudo de “Sete regras para evitar um Writer-Block”, mas seria muita presunção de minha parte. Então… Que tal “Sete dicas para você não estancar”? Acho muito melhor e é isso que as Sete Dicas são: um pequeno manual para você escrever com mais prazer.

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