Dinâmica de escritor: Observar, entender e escrever

Olá, leitores-escritores!
Continuamos hoje a curta série de artigos sob a égide “Dinâmica do escritor”. Este é o derradeiro ponto, o final! “Oh, nem parecia que iria terminar”, dirão alguns. Mas é, terminada estará esta pequena série nesse último artigo, na verdade uma quase-crônica, “Dinâmica de escritor: Observar, entender e escrever“.

Sigamos!

Escrever não precisa ser um monstro de milhares de cabeça. De forma alguma! Ora, escrever deve ser tão simples quanto o ato de falar: você escreve exatamente como pensa e fala. Sou um bom exemplo disso: Muitas vezes minha escrita se apresente de veras rebuscada, porém aviso de antemão que essa é exatamente a maneira pela qual me expresso. Normalmente corrijo o uso de português até mesmo em meus pensamentos. Sim, eu sou um dicionário ambulante.

Não aconteceu de supetão, por certo. Sempre convivi com adultos letrados e pessoas cujo vocabulário faria inveja a grande parte dessa nova geração de escritores. Se usasse um adjetivo em desacordo com a regra, logo era chamada minha atenção e recebia uma verdadeira aula de português ou mesmo um puxão de orelha. Aos oito anos de idade falava os tempos verbais com mais perfeição que muitos alunos da antiga oitava série. Era uma verdadeira velhaca e o sou até hoje.
Observei todas as palavras, aprendi a usar o ‘pai-dos-burros’ desde cedo. Para não passar vergonha, dizia que conhecia a palavra e concordava. Depois, saia à francesa e procurava o Aurélio. Tirava minhas dúvidas e talvez voltasse com uma palavra recém descoberta e me colocasse a usá-la com maestria. Agradeço imensamente por ter tido tal oportunidade de observar os adultos e descobrir a literalidade da língua.

Claro que não é só de culto que vive a língua. Assim passei a entender a língua e mastigá-la. Nas sábias palavras de Gilberto Freyre, a língua ‘brasileira’ tinha um rebolado que faltava à língua ‘portuguesa’. Por isso rendi-me às coloquialidades, ao ‘mermo’, ao ‘Vam’bora’ e claro, ao ‘caramba’ e ao ‘caraca’. A língua que antes era uma velha quase morta resplandeceu numa juventude que beirava a insanidade. Confesso que até hoje sinto dificuldades em usar a maior parte das gírias, mas gosto imensamente de estrangeirismos. Oh! Os estrangeirismos! Se antes me ensinavam que o estrangeirismo era um vício de linguagem dos mais graves, uma devassidão da língua, hoje o encaro com uma bela figura de linguagem, quase uma poesia melodiosa de palavras que assim como ‘saudade’ são intangíveis para todos nós. Entender que a língua é uma ‘metamorfose ambulante’ me fez uma escritora melhor. Vou do culto ao coloquial num estalar de dedos. Algumas vezes continuo a soar rebuscada mesmo em meus coloquialismos, talvez uma língua engessada vá continuar ‘meio dura’ para sempre.

Escrever foi um passo muito simples para mim. Quiçá escrever seja um passo muito simples para todos. Sempre tive visão de contar alguma coisa com começo, meio e fim. Mesmo as pequeninas histórias de criança tinham certo ápice, o que quase sempre me presenteava com uma doce detenção ao final da aula sob acusação de ter pedido que minha mãe escrevesse os trabalhos por mim. Na detenção escrevia ainda mais, como se provando a grave tolice em acusar-me de ser incapaz de escrever uma boa história. Hoje em dia acho a educação de outrora ingênua e até mesmo boba: as professoras não conseguiam enxergar alguém além da média nem mesmo quando a pessoa já tinha a tabuada na mente antes de todos os colegas de classe. Quem sabe a educação ainda padeça dessa observância e finde matando outros que, como eu, restaram incompreendidos.

Enfim, se você consegue observar e entender, por certo vai escrever. Comece com pouco, uma lista de compras talvez, e siga até conseguir escrever um tratado. Quem sabe não seja preciso escrever um tratado. Um crônica de 15 linhas já surtirá um ótimo efeito.

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